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Diário: Rainhas na SP pré-Golpe

Posted By: shanawaara On:


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Semana da votação do impedimento de Dilma Roussef no Senado Golpista de Aécio Neves, Aloysio Nunes, Perrela, Jucá, Marta.

Há poucos dias voltei do Rio de Janeiro. Pelo menos Sampa tá agitada agora. A quietude pré olimpíadas tava de querer se jogar no Tietê. Brasília prestes a fechar um golpe parlamentar, Rio com Grinder Olímpico e Sampa trabalhando como se nada tivesse acontecido. Quase blasé essa minha metrópole. É dose.

Domingo – 28 de agosto de 2016

Encontro de Drags na Virada Sustentável. Santa Inês Brasil. Elas vão falar mal da minha maquiagem, da minha roupa…

Mackaylla, me protege.

– Se alguém mexer com você, eu tiro a navalha do meu salto e rasgo todo mundo.

Amiga é pra essas coisas.

P_20160828_212513Shana e Mackayla no Backstage

Tema do encontro: Sustentabilidade Drag.

Ai meu Santo Antônio gordo. O que eu vou falar? Elas vão descobrir que só assisti a duas temporadas da Ru Paul. Eu nem deveria tá ali. Acode… O que faço? Vou falar sobre revolução. Só penso nisso… Ontem sonhei que a redação da veja pegava fogo. Na capa da semana uma foto do casal Bonner e Fátima felizes na ilha de Caras. Confundi tudo. Concentra ariana. Uma amiga minha sustentável me ajudou a bolar uma fala. Ahazô Capricórnio.

Que dia fabulous.

Hoje conheci pessoalmente drags que só tinha visto na rua, internet e no palco. Reencontrei minhas rainhas Mina de Lyon e Mackaylla após um ano da Rainha da Virada 2015.

Tchaka abre os trabalhos e as rainhas falam sobre suas ações, da cena contemporânea, do ser drag. Ouço tudo quietinha. Obaaaa. Vou sair daqui sem precisar falar nada. Ahazei. Aos 45 minutos do 2o tempo, colocaram o meu na roda e, como uma delicada princesa, falei um pouco sobre as minhas poucas experiências e entendimentos. Foi um grande aprendizado.

Reunião de rainhas: Divina, Tchaka, Malonna, Shana, Sissi, Dindry, Mina, Mackayla.

No fim, fotos, miguxagens, novos encontros que certamente vão se firmar e Malonna fala que meu trabalho, mesmo com a maquiagem retona e maiô sem glamour, é importantíssimo!! Alciana mandou avisar que em casa era #teammalonna

Faço um bocket show e disseram que em Ave Shanawaara, quando eu abaixava, minha bola esquerda aparecia dentro do micro shorts. Acode Minha Santa Inês Brasil. Passada trinta vezes. Desolada na sarjeta da Viera. Eu nunca serei uma diva. Uma lágrima solitária e azamiga drag mandaram avisar pra eu parar de fazer drama queen. Quem nunca pagou bola que atire a primeira pedra… pelo menos era a esquerda.

Fim do trampo. Merda. Esqueci o tênis. Saio com minha bota básica pela Praça da Sé. Na Rua da Direita ouço “olha, é viadão esse aí”. Um pivete pede uma moeda, falo que não tenho. Segue a cena: “Então passa a mochila”. “Sai fora, moleque”.

Dou uma corridinha glamurosa com direito ao toc toc do salto para fugir do assalto nada qualificado. Ladrão de verdade é branco, veste terno e tem foro privilegiado no STF.

Cruzo o Viaduto do chá, Teatro Municipal, Largo do Paissandú.

A espera do busão, um cara pede um trocado pra intera do corote. Falo que não tenho. Ele começa a puxar papo. Fala que é da Freguesia, mas que hoje tá na rua procurando uma boa companhia. Esse mano tá me xavecando? Conhece um motelzinho barato perto da Luz, entre 4 paredes vale tudo. Gelei. A gente pode passar uma noite delícia, que ele sabe como fazer, tem uma rola grande. Falo que geralmente os cara de rola grande pecam na sutileza e são falocêntricos. Que é isso? Partimos para a heteronormatividade, golpe, #foratemer. Quero te comer. Não. Posso dar gostoso. Não. Fala que sou troxa de ir pra casa num domingo a noite. Gato, vê se entende. Eu num vou me enfiar na cracolândia com um cara desconhecido às 11 da noite nem fudendo mesmo. Compreenda. Sou uma diva. Ele pede pra eu pagar um churrasco grego e interar o corote. Começa a falar mais perto da minha boca, esbarra nosso corpo, me chama de covarde. Pior que o viado é bonito. São Jorge queer, ajuda essa sua filha carnavalizada. 20 minutos de conversa e já tá quase passando a proposta Boquete na República… O golpe temer deve ser desmoralizado, mas questão de encaminhamento: meu busão tá chegando. Hora da triste despedida:

– Foi bom te conhecer.

– Você nem sabe o que é bom nessa vida.

Cuzão. Me sinto uma loser. Detesto a sensação de não ter vivido algo que poderia ser… uma grande roubada. Ahazô viada. Vejo uma mensagem no zapzap. Decido encontrar um crush meia bomba que mora perto da Augusta. Acabo dormindo pelo centro.

Segunda-feira – 29 de agosto

Nova mensagem de uma amiga perguntando se vou na manifestação a noite. Nem tava sabendo. Ai, minha nossa piroca abençoada. Preciso trabalhar… Vejo que “Mãe só há uma” ainda está em cartaz. Quer saber… To no centro mesmo. Foda-se.

Assisto ao filme da Anna: a representação do queer experimentado pela geração nascida nos anos 90. As menines e suas unhas pintadas, o sexo com espartilho, batom escondido no espelho do banheiro, o vestido revelado no boliche, as tretas tudo… Drama queer. Gosto dos detalhes.

Vou pro vão livre do MASP. Um guri sentado a minha direita pede seda. Não tenho. O guri da esquerda fala que tem, olha que sorte. Direita e esquerda unidas pelo bem da nação. Os dois bolando. Acendem. Ficamos trocando ideia enquanto a PM e a Guarda Civil não aparecia. Ao final, Will propõe da gente se encontrar no dia seguinte, às 4h20, ali mesmo, proposta prontamente aceita por mim e Igor. Não trocamos facebook nem zapzap. Gosto desse encontro.

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Sigo a Praça do Ciclista para o início da manifestação. A Paulista já está cheia. Em um momento histórico triste, encontros ao vivo são necessários. Assim começa uma semana de luta.


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