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Semana do Golpe: 2ª feira – Quem diria? Dilma ahaza no Senado

Posted By: shanawaara On:


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29.08.16 –  Tesões de minha vida.

Hoje, Dilma passou 14 horas defendendo-se dos crimes das tais pedaladas fiscais no Senado Golpista Federal. Viadaaaa. E num é que ahazô. Nunca antes na história desse país, Dilma falou tão bem publicamente. Nos debates das eleições, ai que sofrimento, santa inês brasil… E mesmo assim, 54 milhões de votos – que serão desconsiderados no dia de amanhã. Mas a direita deve ficar tranquila. O candidato derrotado ainda vislumbra uma bela carreira em sua frente, se é que vocês me entendem…

O roteiro de Dilma não era tão difícil a ser seguido hoje. Uma quadrilha de senadorxs corruptxs insistindo na farsa com final já conhecido, independente de análises técnicas. O “conjunto da obra” depois viraria “não temos provas, mas temos convicções”. Anotemos os slogans do golpe.

Como pode? O STF sustenta Cunha na presidência da Câmara até que o pedido de impedimento fosse aceito. Podíamos ter passado sem aquele domingo medonho em que a mídia abriu a programação para os agradecimentos a Deus, família seguido de zapzap pras manas putas de Brasília. A gente era feliz com o Faustão e não sabia, mai beibiloves. Que tristeza conhecer a cara coronelística da Câmara dxs Deputadxs. Qual será o título que aquele domingo ganhará nos livros de História?

Enquanto ando pela Paulista, acompanho momentos da defesa de Dilma nas TVs dos bares. Diferentemente dos dias da manifestação com camiseta da CBF, a Globo não alterou a sua programação. Não sei se é verdade, mas vi um meme que rolou um ovo frito no Programa da Fátima Bernardes enquanto Dilma estava no Senado. Compréhensible cherry. Dilma já fez um omelete com a Ana Maria em 2011. Agora sente na pele um Golpe Padrão Globo de Qualidade.

Eu tô feliz que agora dá pra criticar o PT publicamente. Fica mais fácil pra esquerda. Que o partido entenda-se 14 anos depois. Por aqui, a gente vai tocando a luta nós por nós. Uma pena que em tão pouco tempo o governo do PMDB vai terminar de privatizar o país e acabar com os direitos trabalhistas. A luta é longa.

Falando nisso, em frente à FIESP, trabalhadorxs militarizadxs, vulgo PM, protegem o prédio da tal Federação golpista. Imagina, a polícia nas próximas manifestações com sangue nozóio sem férias, nem 13º. Estames todes fudides: manifestantes e PMzes. Adoro falar que nem o Mussum.

Uma fogueira acesa em frente ao cordão das trabalhadoras do Choque. Uns caras pretos lutam capoeira ao lado das chamas e chamam a PM pra luta corporal, sem armas, no golpe limpo, aprendido nas ruas e tradição. Faço novxs amigxs: um casal de punks maloqueros que tá vendendo breja na manifestação. Nem me lembro como e começam as bombas de gás lacrimogênio e efeito moral. PM do PSDB agora tem autorização direta do Ministério Golpista da Justiça pra fazer o que quiser.

Li que Alexandre de Moraes suspendeu as ações de Direitos Humanos até o fim do ano. Quando a bancada evangélica solicitar a sua parte pelo apoio ao Golpe, preparem-se para o exílio, minhas viadinhas. Não que estivemos seguros na era Lula, mas, em minha opinião, estamos mais vulneráveis. As bichas de direita que bateram panela e gritaram #tchauquerida, caso queiram, podem deixar seus comentários abaixo. Precisamos conversar e construir juntxs.

Bombas e correria. Adoro essa violenta emoção. O povo se junta e faz barricadas com os lixos na Paulista. Sem preparo, liderança ou estratégia, na construção olho no olho, vamos conseguindo resistir. Aqui é medalha em corrida sincronizada. Como de costume, a PM de Geraldo Alckmin transforma a Paulista numa praça de guerra. Enquanto há barricadas com fogo, existe resistência. Entramos na Consolação e a parede do cemitério dá medo: escuridão e bombas. Na Parada, essa parede é bem mais convidativa.

Motoristas, uma categoria social paulistana, fecham as janelas e a PM evita jogar bomba em meio aos carros. Seria deselegante com essa classe que já sofre tanto nos congestionamentos da cidade. Acompanho meus novxs amigxs correndo com o carrinho de breja em meio ao gás. Thug life, rapá. Já perto da Caio Prado, a PM consegue se aproximar dxs manifestantes e não mais é possível fazer barricadas. Agora a única estratégia possível é “corre sapatão”. 

Mais tarde, me contaram que as bombas seguiram na Praça Roosevelt.

Trabalhadorxs militarizadxs fazendo a guerra.

Ainda subo para a Paulista e um casal burguês saindo de um restaurante chique diz “olha, que vandalismo”. Quase cantam plin plin depois do comentário. Tento argumentar que essa foi a única maneira que xs manifestantes encontraram para se protegerem da ação da polícia que protegia a FIESP. Elxs fingem recuar na opinião e falam que em Higienópolis não ouviram nenhuma bomba. Falo que justamente é Higienópolis uma das zonas a ser protegida nesse war municipal.

Hora de voltar pra casa. O cobrador e o motorista fazem a mesma fala do casal burguês. Que tristeza… Equivocadamente não quero debater com eles. Prefiro me anestesiar no facebook. Errei rude. No celular uma notícia sobre a PEC 51 do Senador Lindbergh Farias (PT/ RJ) sobre a desmilitarização da polícia. Entro no busão e percebo que meu nariz não está entupido. Tenho uma teoria que gás lacrimogênio é bom para desentupir as vias nasais, mas ataca a asma e bronquite.

Sensação boa na hora de dormir. Aquele cansaço de quem praticou algum esporte.

Brincando de revolução.

Amanhã vai ser maior.


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